E-Learning: Admirável mundo novo?

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Na atualidade, a sociedade depende em larga instância dos meios de comunicação e informação. O acesso à Internet e o uso do computador, em particular, têm potenciado um conjunto diverso de transformações no modo de produzir, armazenar e disseminar a informação (Almala, 2004). Neste contexto, a aprendizagem a distância é uma vertente das novas tecnologias que tem vindo a ganhar espaço, contribuindo eficazmente para a formação (inicial e contínua) e qualificação de muitos profissionais a nível global.

O e-Learning é hoje a forma mais utilizada de ensino a distância, devido ao potencial das novas tecnologias de informação e comunicação. Este conceito refere-se a um tipo de aprendizagem a distância em que a informação e o material de estudo estão disponíveis na Internet (Cação & Dias, 2003). Caixinha (2005) acrescenta que o e-Learning tem como objetivo a promoção do ensino/aprendizagem recorrendo à Internet como dispositivo de mediação entre os intervenientes e de acesso a recursos pedagógicos, a mecanismos de avaliação e a funcionalidades de gestão dos processos.

Nesta perspetiva, o e-Learning é uma forma de educação a distância baseada em plataformas virtuais e outros recursos online que oferecem uma experiência de aprendizagem muito mais flexível e adaptada ao aluno/formando: apesar da distância física entre aluno/formando e tutor/formador, a informação encontra-se acessível a qualquer momento e os conteúdos podem sofrer alterações com muita rapidez e facilidade (Lima & Capitão, 2003).

A definição da American Society for Training and Development (www.astd.org) é mais abrangente:

"O e-Learning cobre um conjunto amplo de aplicações e processos, tais como ensino baseado na Web, ensino baseado no computador, salas de aula virtuais e colaboração digital. Inclui a entrega de conteúdo via Internet, Intranet/Extranet (LAN/WAN), áudio e gravações em vídeo, rádio por satélite, TV interativa e CD-ROM."

Para os efeitos deste texto, o e-Learning é considerado uma forma de ensino a distância mediado pela Internet e pelas suas funcionalidades como suportes principais para a criação, disseminação e gestão de conteúdos.

De acordo com o primeiro Barómetro de e-Learning a nível europeu, o número de pessoas que recorre a este tipo de ensino tem crescido sobretudo desde 2012 (https://www.crossknowledge.com/media-center/news/e-learning-barometer-re...), sendo adaptado por universidades privadas, diversos tipos de organizações e particulares.

Face a este aumento no número de pessoas que adere ao e-Learning, é importante refletir sobre as principais vantagens que este tipo de ensino apresenta relativamente aos métodos de ensino tradicionais. As vantagens que mais sobressaem neste tipo de ensino são a flexibilidade temporal e a disponibilização da informação em tempo real. Com efeito, este sistema encontra-se disponível a qualquer hora e em qualquer local (otimizando o tempo do formador e do formando) e a informação é disponibilizada em tempo real, tornando mais rápida a distribuição da informação (Barbosa, 2007). Segundo Paiva e colegas (Paiva, Figueira, Brás, & Sá, 2004), as maiores vantagens deste método de ensino a distância são a sua flexibilidade, a acessibilidade, a centralidade do aluno, a convergência com as suas necessidades, a racionalização de recursos, a melhor integração dos alunos com dificuldades e a sua interatividade.

Outro aspeto positivo reporta-se à personalização do percurso formativo, na medida em que o aluno/formando pode organizar o tempo à sua medida e realizar diversos tipos de exercícios e trabalhos sem se sentir submetido à pressão dos limites temporais da sala de aula ou do formador. Desta forma, os ritmos de aprendizagens são diferenciados para cada aluno, havendo uma maior autonomia na gestão do tempo e nas estratégias de aprendizagem selecionadas. Além disso, de acordo com uma perspetiva construtivista da aprendizagem, o aluno/formando é responsável pela construção do seu conhecimento e tem um maior envolvimento, devendo ter iniciativa e capacidade de decisão (Barbosa, 2007).

Refira-se, ainda, a facilidade de utilização do sistema em termos de gestão, a rápida distribuição dos conteúdos (Radović-Marković, 2010), a possibilidade de atualização constante do aluno/formando e o menor custo os cursos oferecidos por esta via (Paiva et al., 2004). O e-Learning também pode ser muito vantajoso para pessoas com necessidades especiais, mediante pequenos ajustes. No caso dos deficientes auditivos, por exemplo, o som pode ser aumentado e acompanhado de informação escrita (Radović-Marković, 2010).

Contudo, o e-Learning pode apresentar algumas desvantagens, sobretudo se não for organizado em função de uma estratégia clara ao nível das metodologias e dos conteúdos (Radović-Marković, 2010). Algumas desvantagens incluem a falta de interatividade dos conteúdos e a existência de limitações tecnológicas (como é o caso da ineficácia da largura da banda e a eventual lentidão no streaming de áudio e vídeo) (Paiva et al., 2004). A falta de feedback face às tarefas realizadas (ou o seu atraso) também podem constituir-se como uma barreira à aprendizagem e levar à falta de motivação (Barbosa, 2007). Este aspeto é, inclusive, uma das barreiras que mais podem contribuir para o alheamento em relação aos conteúdos, na medida em que, muitas vezes, esse feedback só é facultado no final da formação (através da avaliação final) ou nunca chega a existir.

A ausência de relação humana entre aluno/formando e professor/formador também é uma desvantagem frequentemente apontada ao ensino a distância e ao e-Learning em particular (Barbosa, 2007; Lima e Capitão, 2003). Contudo, esta falta de interação depende em grande medida da organização de cada curso. A existência de um fórum de discussão e de um chat, por exemplo, poderão promover a interação com os colegas virtuais e o professor/formador, que tem um papel central na dinamização da plataforma de ensino. No entanto, se esta dinamização e interação não forem promovidas, pode haver um desânimo e desmotivação dos alunos/formandos e um menor envolvimento no processo educativo/formativo.

Por fim, ainda no que diz respeito às desvantagens do e-Learning, refira-se a heterogeneidade dos alunos/formandos. Este tipo de ensino/formação é mais adequado aos adultos e às pessoas com motivação para aprender, porque a população adulta tem uma maior facilidade em adaptar-se ao autoestudo do que as crianças e adolescentes. Além disso, é necessário ter conhecimentos mínimos de informática (literacia digital) e nem sempre o nível de conhecimentos dos alunos/formandos é idêntico, o que pode originar dificuldades na consecução dos objetivos ou na utilização da plataforma de ensino a distância (Barbosa, 2007).

Neste contexto, o professor/formador, frequentemente designado de e-tutor ou e-formador, tem como responsabilidade o planeamento, implementação, orientação, monitorização e avaliação de cada ação de formação em regime de e-Learning (Rodrigues, 2004). Isto significa que o e-formador deve assumir um papel ativo e de facilitador da aprendizagem, não devendo limitar-se ao planeamento da ação de formação ou demitir-se do seu papel dinamizador das aprendizagens. Este deve partilhar conhecimentos e desafiar/aconselhar os alunos/formandos a participar ativamente na sua aprendizagem (Barbosa, 2007; Rodrigues, 2004).

Em suma, o e-Learning promove a aprendizagem centrada no aluno, razão pela qual o conjunto de estratégias pedagógicas adaptado deve promover a flexibilidade, a interação e a participação ativa dos alunos/formandos, de acordo com os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem.

Clara Ferrão

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Almala A. (2004). Planning for High Quality E-Learning in Institutions of Higher Education: An Analytical Case Study of a Two-Year Public Community College in Virginia. Fairfax: George Mason University.

Barbosa, M. S. (2007). E-Learning: Um Conceito a Ser Seguido. Vila Nova de Famalicão: Faculdade de Engenharia da Universidade Lusíada de Vila Nova de Famalicão.

Cação, R., & Dias, P. J. (2003). Introdução ao E-Learning. Porto: Sociedade Portuguesa de Inovação.

Caixinha, H. (2005). O E-Learning na Universidade de Aveiro (1998-2005). Aveiro: Universidade de Aveiro.

Lima, J., & Capitão, Z. (2003). E-Learning e E-Conteúdos: Aplicações das Teorias Tradicionais e Modernas de Ensino e Aprendizagem à Organização e Estruturação de E-Cursos. Vila Nova Famalicão: Centro Atlântico.

Paiva, J., Figueira, C., Brás, C., & Sá, R. (2004). E-Learning: O Estado da Arte. Coimbra: Sociedade Portuguesa de Física – Softciências.

Radović-Marković, M. (2010). Advantages and disadvantages of e-learning in comparison to traditional forms of learning. Annals of the University of Petroşani, Economics, 10(2), 289-298.

Rodrigues, E. (2004). O papel do e-formador (formador a distância). In A. A. S. Silva & M. J. Gomes (Coord.), e-Learning para e-Formadores (pp. 73-98). Guimarães: Tecminho.

Internet

https://www.crossknowledge.com/media-center/news/e-learning-barometer-results

www.astd.org

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